Em Oquinaua, o pequeno Gichin Funakoshi, por volta de 1880, no fim da infância e
começo da adolescência, começou a praticar o caratê sob os auspícios do
mestre Anko
Asato — experto nos estilos shuri-te, de
caratê, e Jigen-ryu, de kenjutsu —
que era amigo de seu pai e tinha sido discípulo do grande mestre Bushi
Matsumura.[1]
O jovem Funakoshi, além de outros interesses muito caros,
tinha especial apreço pelas artes
marciais, sempre buscando novos ensinamentos. Assim, não depois de
enveredar pelo caratê, passa a treinar com mestre Anko Itosu,
com quem aprende as principais técnicas.[2] Por
outro lado, o aprendizado se deu com outros mestres de renome, com os quais,
além de obter novos conhecimentos, também foi influente, como Kenwa
Mabuni, Kanryo Higaonna, Chojun
Miyagi.[1]
O mestre Itosu empreendera sérios esforços para popularizar
a arte marcial, não sendo muito bem-sucedido, pero o talvez mais signficativo
seja mudança de nome da arte marcial desarmada de Oquinaua, de tode (mão
sínica) para karate (mão vazia), o que significou naquela
época, fim do século XIX, uma enorme mudança de paradigma o rompimento
de uma barreira cultural. Funakoshi faz parte daqueles movimentos e despende
novos esforços, no sentido de popularizar o caratê não só em sua terra natal
mas no Japão todo. Calhou de, em 6 de
março de 1921,
o príncipe herdeiro Hirohito assistir a uma demonstração encabeçada por Gichin
Funakoshi, no castelo de Shuri, ajudado por seus discípulos e pelo mestre Miyagi.
Depois, em 1922, surgiu o convite do mestre Jigoro Kano —
criador do judô —
para que fosse foi feita uma demonstração pública do caratê no instituto Kodokan. Como foi
causa muito bom impressão, Gichin Funakoshi permaneceu em Tóquio por
mais algum tempo, a ministrar aulas.[3]
Por volta de 1935, tem início um movimento de alguns discípulos de Gichin
Funakoshi, para ver um lugar próprio de treino de caratê e, em 1936, esse esforço dá
resultados e é finalmente construído um dojô (道場 sítio
de treino?) em sua homenagem e o
chamaram de Shotokan, ou "casa de Shoto", colocando uma
placa com tal inscrição nos umbrais da entrada. Shoto era o pseudônimo com que
Funakoshi assinava seus textos. Infelizmente, o prédio original foi destruído
durante um bombardeio durante a II
Guerra Mundial.
Gichin Funakoshi não acreditava na diversificação de
estilos, e sim que todo o caratê deveria ser um só, mesmo com as diferenças
naturais de ensino que variam entre os professores, posto que seu estilo ainda
fosse tradicional e intimamente conectado ao estilo Shorin-ryu,
com bases altas e golpes duros, tendo como base a filosofia do Budo, em cujo conteúdo
há a consciência da busca constante pelo aperfeiçoamento pessoal, sempre
contribuindo para a harmonização do meio onde se está inserido, por intermédio
de muita dedicação ao trabalho, treinamento rigoroso e vida disciplinada. O
praticante do caratê tradicional caminha em direção dessas metas, formando seu
caráter, aprimorando sua personalidade.[4]
Noutra mão, o estilo Shotokan era uma escola aberta a novos
conceitos, desde que se mostrassem eficientes no escopo do mesmo, que era o
aprimoramento moral e físico. Neste sentido, o desenvolvimento do estilo foi
mui influenciado pelo o sensei Yoshitaka Funakoshi, filho do mestre, o qual
dava o exemplo de afinco ao treinamento e carreou elementos de outras artes marciais japonesas, como os chutes
laterais e o emprego de bases bem mais baixas do que aquelas exercitadas nas
escolas derivadas dos estilo Shuri-te e Shorin-ryu.
Tanto é assim que se pode identificar dois momentos distintos na evolução do
Shotokan: a formação, feita por Gichin Funakoshi, e o amadurecimento,
encabeçado por Gigo Funakoshi.[5]
A meta imaginada quando do estabelecimento do dojo de
Shoto era fazer da arte marcial um contributo para a formação integral do ser
humano, não podendo, portanto, ser confundido com uma prática puramente
esportiva. "Tradição é um conjunto de valores sociais que passam de
geração à geração, de pai para filho, de mestre para discípulo, e que está
relacionado diretamente com o crescimento, maturidade, com o indivíduo
universal."
A famosa expressão do mestre Gichin Funakoshi - Karate
ni sente nashi (空手に先手なし? No
caratê não existe atitude ofensiva) - define claramente o propósito
antiviolência.
|
“
|
Se o adversário é inferior a ti, então por que brigar?
Se o adversário é superior a ti, então por que brigar? Se o adversário é igual a ti, compreenderá, o que tu compreendes... então não haverá luta. Honra não é orgulho, é consciência real do que se possui. |
”
|
O verdadeiro valor do caratê não está em sobrepujar os
outros pela força física. Nesta arte marcial não existe agressão, mas sim
nobreza de espírito, domínio da agressividade, modéstia e perseverança. E,
quando for necessário, fazer a coragem de enfrentar milhões de adversários
vibrar no seu interior. É o espírito dos samurais.
Cisão
Quando se mudou para Tóquio, mestre
Funakoshi admitiu como aluno o já experiente lutador de jiu-jitsu Hironori
Otsuka, que ficou impressionado com as proezas que os caratecas faziam
em suas demonstrações.[6]
Eventualmente, Otsuka tornou-se instrutor de caratê
shotokan, mas, em 1930,
as divergências sobre a condução da arte tornaram-se mais acentuadas, pelo que
os mestres chegaram ao consenso de seguirem caminhos diferentes. Dessa primeira
cisão nasceu o estilo Wado-ryu, que incorpora técnicas de jiu-jitsu e gotende ao
repertório do caratê, dando mais ênfase à pratica dekumite.
Após a morte de Gichin Funakoshi, outras dissensões
tornaram-se evidentes. Alguns defendiam a participação em torneios e disputas e
outros mantinham-se arraigados à proposição inicial de proibir quaisquer tipo
de embate, devendo a arte ser desenvolvida principalmente por meio do treinamento
reiterado de kata. Apartada, veio a lume a linhagem Shotokai.
A linhagem Shotokan foi assumida por Masatoshi Nakayama, e permaneceu única (isto é,
sob a direção da JKA) até 1977, quando o
mestre Hirokazu Kanazawa[7] formou
outra dissensão. Nesta última, ao longo do tempo pequenas diferenças foram-se
acumulando, principalmente quanto à execução de katas. E, no início do século
XXI, outros katas passaram ser treinados, o que acentua ainda mais o
distanciamento.
Há ainda a linhagem Asai-ha, do mestre Tetsuhiko Asai, na qual
pretende-se fazer resgate de alguns conceitos do caratê tradicional e, bem
assim, foram criados e adaptados outros kata.
Características
O estilo Shotokan caracteriza-se por bases fortes e golpes
no corpo inteiro.[8] Os
giros sobre o calcanhar em posição baixa dão fluidez ao deslocamento e todo
movimento começa com uma defesa. Este é um estilo em que as posições têm
o centro de gravidade muito baixo, e em que
técnicas como um "simples" soco direto são difíceis de se dominar,
porém quando a técnica é dominada o seu poder é incrível e quase sobre-humano.
Alguns tendem a classificá-lo como uma evolução do
estlio shuri-te ou shorin-ryu.
Entretanto, há divergências porque as bases do shotokan são precipuamente
baixas, enquanto que em shuri-te são altas. Ademais, há golpes como mae
geri e ushiro geri, que não são comuns nos estilos shorin,
mas estão presentes no estilo de Funakoshi.
Neste estilo são levados a sério fatos como: a concentração
e o estado de espírito, pois sem concentração e um estado de espírito leve porem
determinado a técnica de pouco servirá, devendo estes dois atributos
expandirem-se com a pratica e determinação.
Ética
O caratê moderno, ou kara-te-do, pretende ser
muito mais do que uma disciplina de combate, mas, antes de tudo, o fito é
proporcionar ao praticante um meio de evolução pessoal completa. Nesta cércea,
os rituais, concebidos para serem praticados em todos os locais de treinamento,
propõem uma série de atitudes e gestos que facilitam as relações entre eles
deixando claro o desejo comum de obedecer a uma ordem válida para toda a
comunidade e para cada um. A intenção do praticante é sempre a de estimular o
progresso coletivo na arte sem perder, contudo, o desenvolvimento individual.
A prática do caratê está repleta de exercícios fortes e combativos,
porém não se pode perder de vista o espírito de conciliação, buscando a vitória
pela harmonia, pela paz, e olvidando as atitudes egoístas, pelo que tenta fazer
incutir a ideia de que o grupo faz parte do indivíduo: um carateca deve
treinar com seu companheiro com todo respeito e consideração, pois o considera
como parte de si mesmo e sem o qual não há treinamento.
É, pois, de fundamental importância tratar o companheiro com
cortesia e agradecimento, haja vista o colega proporcionar um aprendizado mais
achegado à realidade. Deve-se ainda ao instrutor respeito e agradecimento pela
transmissão dos conhecimentos e pela dedicação e esforço em ensinar segredos
que foram por muitos séculos restritos a uma minoria privilegiada.
Tem-se como máxima que respeitar é se fazer respeitar.
Conciliar e nunca confrontar é o princípio básico. Esquecer-se da palavra
"eu" e substituí-la pela palavra "nós" é a essência do
ensinamento. Outro ponto fundamental é que se treina caratê para a vida.
Portanto, fica claro ao praticante e ao grupo que o fundamental não é vencer,
não é derrubar, não é ser o mais forte, mas descobrir o potencial individual, o
centro das ações e se, ele não for o centro, colocar-se em uma de suas órbitas,
de acordo com suas reais condições.
Cumprimento
Uma demonstração tradicional de cortesia é o cumprimento,
isto tanto é verdade que ele é realizado no início e no final da aula de frente
para o Shomeni (forma de agradecimento àqueles que
desenvolveram a arte). Ao cumprimentar, deve-se mirar para baixo e não na face
do seu oponente, pois cruzar o olhar com alguém durante um cumprimento é sinal
de falta de confiança. O cumprimento pode ser feito de duas maneiras distintas:
- Ritsurei (立礼?), cumprimento em pé, em
posição natural ou shizentai;
- Zarei (座礼?), cumprimento em posição
de seiza.
O cumprimento deve acontecer nas situações a seguir:
- Quando
se entra ou sai do dojô;
- Quando
o professor entra ou sai do
- Formação
- Em
Oquinaua, o pequeno Gichin Funakoshi, por volta de 1880, no fim da
infância e começo da adolescência, começou a praticar o caratê sob os
auspícios do mestre Anko Asato — experto nos estilos shuri-te, de caratê,
e Jigen-ryu, de kenjutsu — que era amigo de seu pai e tinha sido discípulo
do grande mestre Bushi Matsumura.[1]
- O
jovem Funakoshi, além de outros interesses muito caros, tinha especial
apreço pelas artes marciais, sempre buscando novos ensinamentos. Assim,
não depois de enveredar pelo caratê, passa a treinar com mestre Anko
Itosu, com quem aprende as principais técnicas.[2] Por outro lado, o
aprendizado se deu com outros mestres de renome, com os quais, além de
obter novos conhecimentos, também foi influente, como Kenwa Mabuni, Kanryo
Higaonna, Chojun Miyagi.[1]
- O
mestre Itosu empreendera sérios esforços para popularizar a arte marcial,
não sendo muito bem-sucedido, pero o talvez mais signficativo seja mudança
de nome da arte marcial desarmada de Oquinaua, de tode (mão sínica) para
karate (mão vazia), o que significou naquela época, fim do século XIX, uma
enorme mudança de paradigma o rompimento de uma barreira cultural.
Funakoshi faz parte daqueles movimentos e despende novos esforços, no
sentido de popularizar o caratê não só em sua terra natal mas no Japão
todo. Calhou de, em 6 de março de 1921, o príncipe herdeiro Hirohito
assistir a uma demonstração encabeçada por Gichin Funakoshi, no castelo de
Shuri, ajudado por seus discípulos e pelo mestre Miyagi.
- Depois,
em 1922, surgiu o convite do mestre Jigoro Kano — criador do judô — para
que fosse foi feita uma demonstração pública do caratê no instituto
Kodokan. Como foi causa muito bom impressão, Gichin Funakoshi permaneceu
em Tóquio por mais algum tempo, a ministrar aulas.[3]
- Por
volta de 1935, tem início um movimento de alguns discípulos de Gichin
Funakoshi, para ver um lugar próprio de treino de caratê e, em 1936, esse
esforço dá resultados e é finalmente construído um dojô (道場
sítio de treino?) em sua homenagem e o chamaram de Shotokan, ou "casa
de Shoto", colocando uma placa com tal inscrição nos umbrais da
entrada. Shoto era o pseudônimo com que Funakoshi assinava seus textos.
Infelizmente, o prédio original foi destruído durante um bombardeio
durante a II Guerra Mundial.
- Gichin
Funakoshi não acreditava na diversificação de estilos, e sim que todo o
caratê deveria ser um só, mesmo com as diferenças naturais de ensino que
variam entre os professores, posto que seu estilo ainda fosse tradicional
e intimamente conectado ao estilo Shorin-ryu, com bases altas e golpes
duros, tendo como base a filosofia do Budo, em cujo conteúdo há a
consciência da busca constante pelo aperfeiçoamento pessoal, sempre
contribuindo para a harmonização do meio onde se está inserido, por
intermédio de muita dedicação ao trabalho, treinamento rigoroso e vida
disciplinada. O praticante do caratê tradicional caminha em direção dessas
metas, formando seu caráter, aprimorando sua personalidade.[4]
- Noutra
mão, o estilo Shotokan era uma escola aberta a novos conceitos, desde que
se mostrassem eficientes no escopo do mesmo, que era o aprimoramento moral
e físico. Neste sentido, o desenvolvimento do estilo foi mui influenciado
pelo o sensei Yoshitaka Funakoshi, filho do mestre, o qual dava o exemplo
de afinco ao treinamento e carreou elementos de outras artes marciais
japonesas, como os chutes laterais e o emprego de bases bem mais baixas do
que aquelas exercitadas nas escolas derivadas dos estilo Shuri-te e
Shorin-ryu. Tanto é assim que se pode identificar dois momentos distintos
na evolução do Shotokan: a formação, feita por Gichin Funakoshi, e o
amadurecimento, encabeçado por Gigo Funakoshi.[5]
- A
meta imaginada quando do estabelecimento do dojo de Shoto era fazer da
arte marcial um contributo para a formação integral do ser humano, não
podendo, portanto, ser confundido com uma prática puramente esportiva.
"Tradição é um conjunto de valores sociais que passam de geração à
geração, de pai para filho, de mestre para discípulo, e que está
relacionado diretamente com o crescimento, maturidade, com o indivíduo
universal."
- A
famosa expressão do mestre Gichin Funakoshi - Karate ni sente nashi (空手に先手なし?
No caratê não existe atitude ofensiva) - define claramente o propósito
antiviolência.
- “ Se o adversário é inferior a
ti, então por que brigar?
- Se o
adversário é superior a ti, então por que brigar?
- Se o
adversário é igual a ti, compreenderá, o que tu compreendes...
- então
não haverá luta.
- Honra
não é orgulho, é consciência real do que se possui. ”
- O
verdadeiro valor do caratê não está em sobrepujar os outros pela força
física. Nesta arte marcial não existe agressão, mas sim nobreza de
espírito, domínio da agressividade, modéstia e perseverança. E, quando for
necessário, fazer a coragem de enfrentar milhões de adversários vibrar no
seu interior. É o espírito dos samurais.
- Cisão
- Quando
se mudou para Tóquio, mestre Funakoshi admitiu como aluno o já experiente
lutador de jiu-jitsu Hironori Otsuka, que ficou impressionado com as
proezas que os caratecas faziam em suas demonstrações.[6]
- Eventualmente,
Otsuka tornou-se instrutor de caratê shotokan, mas, em 1930, as
divergências sobre a condução da arte tornaram-se mais acentuadas, pelo
que os mestres chegaram ao consenso de seguirem caminhos diferentes. Dessa
primeira cisão nasceu o estilo Wado-ryu, que incorpora técnicas de
jiu-jitsu e gotende ao repertório do caratê, dando mais ênfase à pratica
de kumite.
- Após
a morte de Gichin Funakoshi, outras dissensões tornaram-se evidentes.
Alguns defendiam a participação em torneios e disputas e outros
mantinham-se arraigados à proposição inicial de proibir quaisquer tipo de
embate, devendo a arte ser desenvolvida principalmente por meio do
treinamento reiterado de kata. Apartada, veio a lume a linhagem Shotokai.
- A
linhagem Shotokan foi assumida por Masatoshi Nakayama, e permaneceu única
(isto é, sob a direção da JKA) até 1977, quando o mestre Hirokazu
Kanazawa[7] formou outra dissensão. Nesta última, ao longo do tempo
pequenas diferenças foram-se acumulando, principalmente quanto à execução
de katas. E, no início do século XXI, outros katas passaram ser treinados,
o que acentua ainda mais o distanciamento.
- Há
ainda a linhagem Asai-ha, do mestre Tetsuhiko Asai, na qual pretende-se fazer
resgate de alguns conceitos do caratê tradicional e, bem assim, foram
criados e adaptados outros kata.
- Características
- Exemplos
- O
estilo Shotokan caracteriza-se por bases fortes e golpes no corpo
inteiro.[8] Os giros sobre o calcanhar em posição baixa dão fluidez ao
deslocamento e todo movimento começa com uma defesa. Este é um estilo em
que as posições têm o centro de gravidade muito baixo, e em que técnicas
como um "simples" soco direto são difíceis de se dominar, porém
quando a técnica é dominada o seu poder é incrível e quase sobre-humano.
- Alguns
tendem a classificá-lo como uma evolução do estlio shuri-te ou shorin-ryu.
Entretanto, há divergências porque as bases do shotokan são precipuamente
baixas, enquanto que em shuri-te são altas. Ademais, há golpes como mae
geri e ushiro geri, que não são comuns nos estilos shorin, mas estão
presentes no estilo de Funakoshi.
- Neste
estilo são levados a sério fatos como: a concentração e o estado de
espírito, pois sem concentração e um estado de espírito leve porem
determinado a técnica de pouco servirá, devendo estes dois atributos
expandirem-se com a pratica e determinação.
- Ética
- O
caratê moderno, ou kara-te-do, pretende ser muito mais do que uma
disciplina de combate, mas, antes de tudo, o fito é proporcionar ao
praticante um meio de evolução pessoal completa. Nesta cércea, os rituais,
concebidos para serem praticados em todos os locais de treinamento,
propõem uma série de atitudes e gestos que facilitam as relações entre
eles deixando claro o desejo comum de obedecer a uma ordem válida para
toda a comunidade e para cada um. A intenção do praticante é sempre a de
estimular o progresso coletivo na arte sem perder, contudo, o
desenvolvimento individual.
- A
prática do caratê está repleta de exercícios fortes e combativos, porém
não se pode perder de vista o espírito de conciliação, buscando a vitória
pela harmonia, pela paz, e olvidando as atitudes egoístas, pelo que tenta
fazer incutir a ideia de que o grupo faz parte do indivíduo: um carateca
deve treinar com seu companheiro com todo respeito e consideração, pois o
considera como parte de si mesmo e sem o qual não há treinamento.
- É,
pois, de fundamental importância tratar o companheiro com cortesia e
agradecimento, haja vista o colega proporcionar um aprendizado mais achegado
à realidade. Deve-se ainda ao instrutor respeito e agradecimento pela
transmissão dos conhecimentos e pela dedicação e esforço em ensinar
segredos que foram por muitos séculos restritos a uma minoria
privilegiada.
- Tem-se
como máxima que respeitar é se fazer respeitar. Conciliar e nunca
confrontar é o princípio básico. Esquecer-se da palavra "eu" e
substituí-la pela palavra "nós" é a essência do ensinamento.
Outro ponto fundamental é que se treina caratê para a vida. Portanto, fica
claro ao praticante e ao grupo que o fundamental não é vencer, não é
derrubar, não é ser o mais forte, mas descobrir o potencial individual, o
centro das ações e se, ele não for o centro, colocar-se em uma de suas
órbitas, de acordo com suas reais condições.
- Cumprimento
- Uma
demonstração tradicional de cortesia é o cumprimento, isto tanto é verdade
que ele é realizado no início e no final da aula de frente para o Shomeni
(forma de agradecimento àqueles que desenvolveram a arte). Ao
cumprimentar, deve-se mirar para baixo e não na face do seu oponente, pois
cruzar o olhar com alguém durante um cumprimento é sinal de falta de
confiança. O cumprimento pode ser feito de duas maneiras distintas:
- Ritsurei
(立礼?), cumprimento em pé, em posição natural ou
shizentai;
- Zarei
(座礼?), cumprimento em posição de seiza.
- O
cumprimento deve acontecer nas situações a seguir:
- Quando
se entra ou sai do dojô;
- Quando
o professor entra ou sai do dojô;
- No
início e final de um combate;
- No
início e final da aula;
- No
início e final de um kata;
- No
início e final de um exercício com um companheiro.
- A
maneira correta de se cumprimentar é, partindo-se da posição natural,
curvar o corpo apenas em 30 cm e segurá-la por meio segundo e retornar a
posição ereta. O zarei é realizado a partir da posição seiza, inclinando-se
o corpo e as mãos descem suavemente das coxas para o chão, formando um
triângulo onde a fronte tocará.
- No
início e final de um combate;
- No
início e final da aula;
- No
início e final de um kata;
- No
início e final de um exercício com um companheiro.
A maneira correta de se cumprimentar é, partindo-se da
posição natural, curvar o corpo apenas em 30 cm e segurá-la por meio
segundo e retornar a posição ereta. O zarei é realizado a
partir da posição seiza, inclinando-se o corpo e as mãos descem
suavemente das coxas para o chão, formando um triângulo onde a fronte tocará.

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